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Capitulo II Parte 4

Dossiê de Denúncia:

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Capitulo II Parte 4

II

A situação dos direitos humanos dos catadores de materiais recicláveis do centro de São Paulo

4. Reportagens e matérias publicadas pelos veículos de comunicação

O Diário de S. Paulo | 28 de setembro de 2005


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Direitos Humanos | 12/09/2005 | Copyleft

MATERIAL RECICLÁVEL

Catadores temem entrada de empreiteiras em São Paulo

Segundo categoria, proposta da prefeitura estabelece que a coleta de material reciclável nas ruas passe a ser feita por empreiteiras, com a utilização de caminhões. Catadores temem perda de empregos, já que 20 mil pessoas vivem dessa atividade na capital paulista.

Fernanda Sucupira -- Carta Maior

São Paulo - Uma grave ameaça rondava a vida dos catadores de material reciclável da cidade de São Paulo. Representantes da prefeitura haviam comunicado no início do mês passado que, até o fi m de setembro, os catadores deveriam deixar de trabalhar no centro expandido da capital. Em reunião com Andrea Matarazzo, secretário municipal de Serviços e Obras e subprefeito da Sé, no início do mês (dia 6), obtiveram uma vitória parcial. Conseguiram não só a garantia de que esses trabalhadores não serão impedidos de recolher o material no centro, como também a formação de uma comissão com representantes da categoria e da prefeitura. Essa comissão se reunirá pela primeira vez nesta quinta (15), para discutir alternativas à proposta que vem sendo apresentada pela administração municipal. Apesar dos avanços obtidos no diálogo com a prefeitura, muitos problemas e temores em relação a possíveis ações do poder público ainda tiram o sono desses trabalhadores.

De acordo com os catadores, pela proposta da prefeitura, a coleta de material reciclável nas ruas passaria a ser feita por empreiteiras, com a utilização de caminhões. Esse material seria levado para centros de triagem, onde cerca de 2,8 mil catadores fariam a separação do que poderia ser reaproveitado, e a comercialização fi caria por conta da prefeitura. Os catadores apontam diversos problemas nesse projeto. O maior deles é que se limita a apenas uma pequena parte do total de indivíduos que atuam hoje na cidade, número que estimam chegar a 20 mil, deixando a maioria desamparada. "E como fi cam os outros catadores, circulando com a carroça vazia?", pergunta Carlos Antonio dos Reis, conhecido como Carlão, da equipe de articulação estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR).

Ainda que os trabalhadores não sejam expulsos do centro da cidade, eles acreditam que a atuação das empreiteiras pode deixá-los sem material disponível para a coleta. "Eles querem pegar uma minoria e deixar os outros excluídos. As empreiteiras vêm com toda a tecnologia, dizem na mídia para a população entregar o material da coleta seletiva para eles, e quando o catador passar, não vai ter mais nada. Só circular com a carroça não enche barriga", completa Carlão. Eles também temem que dessa forma os caminhões recolham todo tipo de lixo e levem para os centros de triagem, já que as empreiteiras ganham por tonelada coletada e não por quilograma de material reciclado. O Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável quer que esses grandes contratos feitos com as empreiteiras possam ser discutidos antes com os trabalhadores.

Além disso, eles questionam a própria entrada das empreiteiras no setor. Elas passarão a ser remuneradas por uma atividade que é de responsabilidade do poder público, mas que há décadas vem sendo realizada pelos catadores na cidade de São Paulo sem nenhum reconhecimento por parte dos governantes nem da sociedade. O investimento da prefeitura, segundo os trabalhadores, deveria ser feito nas mais de cinqüenta cooperativas organizadas pelos catadores, para que elas aprimorem o serviço que fazem atualmente. "Nós fazemos o trabalho da prefeitura de limpeza da cidade e não ganhamos nada. Prestamos um serviço à sociedade, de resgatar as pessoas em situação de risco, sem perspectivas de vida, e transformá-las em cidadãs, num trabalho de igual para igual. E quem ganha agora não é o catador, que está nisso há muito tempo, mas as empreiteiras, que têm a tecnologia e viram que esse é um negócio grande", denuncia Carlão.

O modelo proposto pela prefeitura também é acusado de ferir a autonomia dos catadores de material reciclável, que, atualmente organizados em cooperativas, passariam a ser empregados da administração municipal. Os catadores se autodefi nem como "empreendedores sociais e solidários", pioneiros nesse ramo, e querem continuar com o sistema de autogestão desenvolvido até hoje. Outra ação prevista pela prefeitura é o fechamento dos depósitos irregulares ­ aqueles que apresentam riscos para a vizinhança ou que não estão legalizados na prefeitura - para onde muitos dos catadores que não estão organizados em cooperativas vendem seus materiais. O MNCR não é contrário a essa medida em especial, mas considera que não adianta fechar esses locais se não forem dadas alternativas aos catadores. Eles defendem que a prefeitura ceda espaços públicos para que esses trabalhadores possam se organizar.

As cooperativas que se encontram em áreas da prefeitura e debaixo de viadutos também estão sendo ameaçadas de serem expulsas desses lugares e enviadas para regiões periféricas da cidade. Esse é o caso da Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare), que há 16 anos atua sob o viaduto Paulo VI, na Zona Oeste da capital. Na última quinta (8), a cooperativa recebeu uma intimação da prefeitura para que desocupasse em 24 horas a área municipal ocupada irregularmente, sob pena de remoção forçada. "Chegou essa intimação de retirada, mas ninguém veio negociar nada com a gente, nenhuma proposta foi apresentada. Queremos permanecer no nosso local de trabalho, onde construímos nossa vida. Já estamos integrados com a comunidade no entorno, atendemos 10 mil famílias, e nunca tivemos nenhum problema. Mas estamos dispostos a negociar, desde que encontremos alternativas que não prejudiquem a categoria", explica Eduardo Ferreira de Paula, diretor presidente da Coopamare, que integra a comissão criada pelo secretário Matarazzo.

Os catadores denunciam ainda abusos por parte da prefeitura de São Paulo, com relatos de violência, apreensão e destruição dos carrinhos dos catadores, e utilização de jatos de água contra esses trabalhadores. O secretário Matarazzo afi rmou na reunião que não tem conhecimento dessas ações violentas por parte dos funcionários da prefeitura.

Todas essas medidas em relação aos catadores ­ desde a ameaça de expulsão do centro, passando pelas ações repressivas, fechamento de depósitos, retirada das cooperativas de debaixo dos viadutos, até a introdução das empreiteiras na coleta - são vistas como formas de enfraquecer o movimento e "revitalizar" a região central. "A tática deles é nos levar para a periferia e limpar a cidade para gringo ver. É tirar a sujeira daqui e levar para debaixo do tapete, mostrando só o que é bonito. Eles não querem mostrar a importância do catador para o desenvolvimento da sociedade e dele mesmo, gerando benefícios para todos, como o trabalho e geração de renda e a economia de energia", afi rma Carlão. O diretor da Coopamare concorda com essa avaliação. "A nova administração tem um plano de fazer uma nova cidade. Por isso, começaram a exclusão e repressão de catadores de material reciclável, moradores de rua e sem-teto", diz Eduardo Ferreira de Paula.

A comissão formada na última semana, da qual fazem parte representantes do Movimento de Catadores de Materiais Recicláveis, do Comitê de Catadores da Cidade de São Paulo, do Fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo e do Fórum Recicla São Paulo, entre outros, irá se reunir novamente com o secretário Matarazzo no dia 15 de setembro para apresentar uma proposta de coleta seletiva para a cidade que conte com a efetiva participação dos catadores.

Para Elisabeth Grimberg, coordenadora de meio ambiente do Instituto Polis e do Fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo, o governo tem que ser capaz de fazer um levantamento desses trabalhadores para discutir uma política pública que não deixe ninguém de fora e seja construída com respeito à visão deles. "A atuação dos catadores benefi cia a sociedade e o meio ambiente já que esses trabalhadores contribuem para diminuir a quantidade de material que vai para os aterros sanitários. O problema é que eles não recebem nenhum apoio. Eles já mostraram que sabem fazer as coisas mesmo em condições precárias, sendo explorados pelos depósitos e discriminados pela sociedade. Até para tomar um cafezinho na padaria eles enfrentam difi culdades", diz.

Procurado pela Carta Maior desde quinta-feira (8), Andrea Matarazzo, secretário municipal de Serviços e Obras e subprefeito da Sé, não atendeu à reportagem.


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Direitos Humanos | 29/09/2005 | Copyleft

RECICLAGEM 1

Catadores temem plano anunciado pela Prefeitura de SP

Apesar de aberto à discussão com os integrantes das cooperativas de coleta seletiva, plano da Prefeitura não aborda questão dos catadores avulsos nem prevê inclusão dos moradores de rua no processo.

Bia Barbosa --­ Carta Maior

São Paulo ­ Uma audiência pública na Câmara dos Vereadores marcada para discutir a polêmica dos catadores de materiais recicláveis de São Paulo foi cancelada de última hora nesta quarta-feira (28). A razão: a Prefeitura de São Paulo ainda não tinha fechado uma proposta para o novo plano de coleta seletiva do município ­ feita atualmente por caminhões da administração pública, por cooperativas e por catadores que trabalham autonomamente. No início de agosto, um comunicado ofi cial previa que, até o fi nal de setembro, os catadores teriam que deixar de trabalhar no centro expandido da capital. Organizados, os catadores conseguiram pressionar o secretário municipal de Serviços e Obras e subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, e reverter o processo, criando uma comissão para dialogar com o poder público. A audiência na Câmara prevista para esta quarta fazia parte deste processo de discussão com a sociedade sobre um assunto que lhe é caro.

Inusitadamente, no entanto, o secretário Matarazzo convocou a grande imprensa para apresentar o novo plano ­ que teoricamente não estava pronto. O documento prevê a ampliação a partir de outubro de 52 para 66 os distritos com coleta seletiva. Atualmente, menos de 1% das 204 mil toneladas de lixo produzidas por mês pela população passa pela reciclagem (feita em 14 centrais de triagem, onde trabalham cerca de 700 catadores), e os caminhões da coleta seletiva funcionam com 20% de sua capacidade. A nova proposta é que as centrais sejam melhor equipadas, passem a trabalhar em três turnos e abriguem mais trabalhadores. A previsão da prefeitura é a de que este número poderia chegar a 2.700 pessoas.

São mudanças que afetam diretamente as cooperativas ligadas à administração pública, mas que em princípio não passam pelas cooperativas e catadores independentes. Segundo nota divulgada no próprio site da Prefeitura de São Paulo, "as cooperativas e catadores avulsos operam fora desse sistema em condições inadequadas de trabalho". O novo modelo teria o objetivo de "atingir maior efi ciência do sistema de coleta de lixo na cidade".

Mas a proposta, apesar de estar sendo discutida em reuniões com as cooperativas conveniadas ­ nesta semana a Secretaria de Serviços e Obras realiza reuniões diárias divididas por zona da cidade analisando suas particularidades ­ está longe de ser um consenso. Uma das críticas dos catadores que participaram do anúncio do plano à imprensa nesta quarta é em relação às fusões que devem acontecer nas centrais de triagem.

"O contrato inicial, da época da gestão Marta, previa a abertura de 31 centrais. Foram abertas somente 14 e agora o Serra quer fundi-las em 7 para otimizar o espaço público. Acontece que isso acaba com a tradição autônoma de organização e trabalho dos catadores. Se a prefeitura quer incluir mais pessoas, que abra mais centrais. Não basta fundir as cooperativas porque assim novas pessoas não se agregam. O processo de encontrar novos atores não é simples", pondera Márcia Abadia Martins.

Catadora há dois anos, cooperada da central que fi ca na Vila Cruzeiro, região de Santo Amaro, que deve ser fundida com a de Miguel Yunes, localizada na mesma região, Márcia conta que antes era auxiliar administrativa. Quando fi cou desempregada, começou a coletar materiais recicláveis. Uma pesquisa divulgada recentemente pela Secretaria do Trabalho mostrou que cerca de 60% dos catadores tiveram por última ocupação um emprego com carteira assinada e 55,2% estão a menos de quatro anos na rua. Márcia é uma dessas 20 mil pessoas que aprederam a sobreviver da coleta seletiva.

Segundo ela, a cooperativa de Miguel Yunes é formada por agentes que faziam a coleta seletiva nas lojas do Pão de Açúcar e hoje enfrenta problemas de gestão. "Agora o prefeito quer que a gente se funda pra resolver este problema. É como se quisesse matar algo que já nasceu pra começar de novo. Nossa lógica é outra. As empresas querem atropelar o trabalho do catador; elas não conhecem o trabalho da gente. Queremos andar sozinhos, ser auto-sufi cientes. Nós conquistamos isso sozinhos", afirma.

Na opinião de Igor Calheiros dos Santos, integrante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, o poder público agora se mostrou sensível e está sentando para discutir o modelo do centro da cidade com as cooperativas. Alegando que atrapalhavam o trânsito e faziam sujeira, a decisão original dos tucanos era proibir inclusive a circulação das carroças de coleta na região central de São Paulo ­o que inviabilizaria o trabalho das cooperativas e dos carroceiros independentes já que grande parte dos materiais recicláveis é produzida pelas empresas e escritórios que lá têm sede. Ainda que os trabalhadores não sejam expulsos do centro da cidade, eles acreditam que a atuação das empreiteiras pode deixá-los sem material disponível para a coleta.

"Em termos gerais, o que a prefeitura quer agora é unir o útil ao agradável. Acha que a gente deve triar mais, trabalhar mais, que é preciso colocar mais gente nas centrais. O que eles querem é uma triagem eficiente, mas nós chamamos a nossa de solidária", explica Santos. "A gente já não tem nada. Se tirarem isso da gente, não sei o que acontece".

Nesta quarta, o secretário Andrea Matarazzo afi rmou que o modelo de gestão das centrais não é imposto, e sim aberto ao catador avulso que queira passar a participar. No entanto, não prevê como esses carroceiros e os moradores de rua podem se incluir neste processo. "O plano precisa continuar a ser discutido com essas pessoas, porque, além de não prever a inclusão de novos catadores, muita gente que já trabalha com isso vai sobrar neste processo de mudança e de fusões. A tentativa da prefeitura é controlar o mercado dos catadores, mas eles precisam resistir, organizadamente e passivamente. O fato do secretário colocar a possibilidade de adesão voluntária ao modelo passa um pouco por isso, por contar que alguns não vão querer ir para as centrais. Mas muitos vão sobrar e os catadores precisam se posicionar frente a isso", acredita o Padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua.


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Direitos Humanos | 30/09/2005 | Copyleft

RECICLAGEM 2

Cooperativa de catadores deve ser expulsa pela Prefeitura

Há 16 anos funcionando debaixo de um viaduto em Pinheiros, na Zona Oeste da cidade, Coopamare corre o risco de ser despejada e deixar mais 56 catadores sem renda. Diálogo com a prefeitura de São Paulo não tem resultado em alternativas para o problema.

Bia Barbosa --­ Carta Maior

São Paulo -­ Manuel Vítimo Soares é catador de materiais recicláveis há dois anos. Antes, trabalhava como carpinteiro, no setor de construção civil. Desempregado, buscou alternativa para a sobrevivência numa das diversas cooperativas de reciclagem que funcionam em São Paulo. Desde então, trabalha na Coopamare (Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis), que funciona no bairro de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. "Já me chamaram pra voltar pra carpintaria, mas eu não quis. Na Coopamare não temos só trabalho, temos apoio. É mais interessante do que trabalhar com o patrão", acredita.

Há 16 anos, a Coopamare trabalha com coleta seletiva de materiais. Instalada debaixo do viaduto Paulo VI, conta com 56 cooperados que, equipados com prensas, carregadeiras e balanças eletrônicas, reciclam cerca de 170 toneladas de lixo por mês. O trabalho beneficia ainda 143 morados de rua com a compra de materiais, para que não passem por atravessadores para chegar até os grandes depósitos. Além de adquirir material dos carregadores avulsos, a Coopamare funciona também no esquema chamado de "porta à porta", em que pessoas da região levam os materiais selecionados para vender pra cooperativa. Seu caso é inclusive tema de uma pesquisa feita pelos alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo.

Desde o início de agosto, os catadores da Coopamare vivem sob a ameaça de despejo por parte da Prefeitura de São Paulo. Entre as medidas contidas no novo plano de coleta seletiva para o município, divulgado nesta quarta-feira (28) está o fechamento dos depósitos irregulares, como os que funcionam debaixo de viadutos. A idéia é levá-los para regiões periféricas da cidade, como a Vila Maria, segundo proposta da administração pública.

"Querem pegar a gente e colocar num lugar com duas mil pessoas sem capacitação, como se fosse uma senzala", desabafa Soares. "A Fernanda [Bandeira de Mello, secretária adjunta de Obras e Serviços da prefeitura] fala que é pra gente ir para a Leopoldina, uma outra central. Mas lá não tem infraestrutura e as pessoas que trabalham lá estão vindo para o centro", conta.

O Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis não é contrário, mas considera que não adianta fechar esses locais se não forem dadas alternativas aos catadores. Eles defendem que a prefeitura ceda espaços públicos para que esses trabalhadores possam se organizar.

A Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo) também defende a Coopamare. Para a organização, a cooperativa é um exemplo de organização social que ajuda na melhoria de vida das pessoas. "A prefeitura deve avaliar melhor, não está considerando a história e a importância social da cooperativa, que sempre contou com o apoio das prefeituras anteriores e de várias ONGs e associações de moradores", diz Aramis Moutinho Júnior, superintendente da Ocesp.

"A Coopamare não suja o local e não atrapalha o bairro. A prefeitura está fazendo terrorismo com os catadores que precisam ser respeitados como cidadãos e como trabalhadores", diz Dalva Tavares, vizinha da cooperativa e que integra o grupo de apoio à entidade formado por mais de 50 pessoas, entre moradores de Pinheiros, simpatizantes, universitários e empresas.

Para o presidente da Coopamare, Eduardo Ferreira de Paula, os catadores trabalham há mais de 20 anos prestando serviços à comunidade, ao poder público e ao meio ambiente. "Queremos ser respeitados como cidadãos porque nosso trabalho é uma profi ssão como qualquer outra", disse. A Associação Colombiana de Recicladores também enviou comunicado em apoio à cooperativa.

Notificados desde o dia 6 de setembro, a Coopamare conseguiu um adiamento do prazo de despejo e agora têm até 21 de outubro para sair debaixo do viaduto. Do contrário, serão desocupados à força. No entanto, não têm para onde ir ou levar todo o equipamento da reciclagem. Até lá, esperam resolver a questão dialogando com a prefeitura.

"Eu só pergunto de que adianta sentar para conversar se a prefeitura depois faz o contrário. Sentamos no dia 6 e no dia 7 chegou a notifi cação de que era pra Coopamare sair. Sentamos de novo com eles no dia 15 e no dia 17 chegou outra notifi cação. Acreditar na palavra da prefeitura agora é quase impossível. Não podemos enfrentá-los porque não temos força, mas vamos resistir. Se acabarem com a Coopamare, acabarão com os catadores", lamenta Soares.


http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/09/329635.shtml

Cooperativa de catadores/as ameaçada de despejo

Por CMI Brasil 14/09/2005

A Coopamare - Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis, que há 16 anos está instalada embaixo de um viaduto em Pinheiros, bairro da zona oeste de São Paulo, está ameaçada de despejo. No dia 8 de setembro os catadores e as catadoras receberam uma intimação da subprefeitura local, exigindo que deixassem o viaduto em 24 horas. Esta intimação foi realizada ilegalmente, sem decisão judicial, e é mais uma tentativa de "higienização" da cidade por parte da prefeitura de São Paulo. Em carta aberta à população, os cooperados lembram que "a Coopamare, desde a sua fundação, em 14 de maio de 1989, tem colaborado com a preservação ambiental, a saúde e a limpeza pública da Cidade de São Paulo, gerando matéria prima para a indústria, trabalho e renda, efetivando a inclusão social de seus cooperados".

Os catadores e as catadoras pedem que as pessoas enviem cartas à subprefeitura de Pinheiros, solicitando ao subprefeito Antônio Marsíglia Netto a permanência da Coopamare nos Baixos Viadutos Paulo VI - Rua Galeno de Almeida, 659 - Pinheiros - São Paulo.

página da Coopamare:

http://www.coopamare.org.br/

ordem de despejo: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/09/329613.shtml

© Copyletf http://www.midiaindependente.org: É livre a reprodução para fi ns não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.


http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/09/329722.shtml

Entrevista com presidente da Coopamare

Por CMI São Paulo 15/09/2005

Entrevista com Eduardo Ferreira de Paula, catador há 15 anos, presidente da Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopaamare)

CMI-SP: Primeiro eu queria saber há quanto tempo vocês estão aqui, quantas pessoas trabalham, como é o trabalho...

Eduardo: A Coopamare é uma cooperativa de catadores autônomos. Surgiu em 1989, a primeira cooperativa de catadores do Brasil, serviu de modelo para vários estados, vários municípios. E um dos principais objetivos pelos quais a cooperativa foi montada foi no sentido de acabar com os ferros velhos... não acabar, né, estar tentando achar uma via melhor para os catadores. Porque no ferro velho ele vai lá e vende, não sabe quanto ele vende... E na cooperativa, não, ele sabe pra quem ele vende, sabe quanto vai pagar... E também a auto-estima, que não é só chegar e catar papel que está beleza. A auto-estima, porque catando papel o cara se valoriza, é como uma profi ssão qualquer, como de um repórter, de um médico, doutor. É uma profi ssão. Então, esse é o objetivo: pra acabar com os atravessadores, e também chegar até a cadeia produtiva. Não falo só de materiais, também falamos de vida, que é levantar a auto-estima do trabalhador.

CMI-SP: Quantas pessoas trabalham aqui com vocês?

Eduardo: Hoje nós estamos com 56 cooperados, mas passam aqui, que não têm vínculo com a gente, uma média de 250 catadores que recebem na hora e são catadores avulsos e moradores de rua, e a gente faz um trabalho com eles.

CMI-SP: Tem algum projeto paralelo desenvolvido com os catadores?

Eduardo: Temos os parceiros pra ajudar. Temos aulas de alfabetização, temos oficinas de reciclagem, papel reciclado... temos atividade do aniversariante do mês na cooperativa... A gente faz o papel reciclado, um pouquinho, separa o material, e quem recicla é a indústria. Nós fazemos o benefi ciamento dos materiais.

CMI-SP: Você pode explicar um pouco da ordem de despejo que vocês receberam, como está a situação?

Eduardo: Então, esse intimato vem acontecendo faz tempo, e a gente não entende, porque estamos há muito tempo aqui... Eles alegam, a lei, que pode acontecer qualquer coisa com o viaduto, mas nunca aconteceu nada aqui, mas eu acho que o problema aí é político. Não é por causa do viaduto. O problema é político, né? De que parte a gente não sabemos, então, estamos aqui... Foi um ato da subprefeitura de Pinheiros, né?

CMI-SP: Você sabe qual é o nome do subprefeito?

Eduardo: É Marsiglia [Antônio Marsiglia Netto].

CMI-SP: A gente recebeu uma informação de que o intimato era ilegal. Você confirma?

Eduardo: Esse aqui é um intimato da subprefeitura de Pinheiros. No governo Pitta a gente teve uma ação jurídica que perdemos na primeira instância. E depois não veio mais... Passou pra segunda, e até agora a segunda não veio. Então, se fosse pra acontecer alguma coisa, uma ação de reintegração de posse da área, tinha que ser jurídica e não pela prefeitura.

CMI-SP: Você é do movimento dos catadores também, né?

Eduardo: Eu faço parte do movimento dos catadores e da articulação do estado de São Paulo.

CMI-SP: Como está a situação dos catadores no centro? Parece que a prefeitura quer expulsar os catadores do centro...

Eduardo: Na verdade esse novo projeto da prefeitura é um projeto anti-catadores. E esse projeto, ele envolve os catadores, porque a cidade de São Paulo, o prefeito de São Paulo, está com um projeto dentro da cidade. E dentro desse projeto engloba uma higienização do centro. Então, é morador de rua, é movimento de sem-teto, e os catadores que está no meio dessa higienização.

CMI-SP: E quais as ações que eles estão fazendo com os catadores?

Eduardo: Tinha acontecido muitos relatos, fecharam depósitos clandestinos e fechando os catadores fi caram desamparados. Os catadores não-organizados. E também estão prendendo as carroças, que impede eles de trabalhar. E foi no ano passado. Agora com o subprefeito, de lá formou uma equipe de trabalho junto com o subprefeito, vamos ver se a coisa começa a mudar a partir daí.

CMI-SP: Tem alguma coisa que você queira falar e que a gente não perguntou?

Eduardo: Só que eu sou catador, eu sei que eu adoro meu trabalho e a gente vem fazendo um bem pra sociedade humildemente. Só falta eles enxergarem a gente com outro olhar, não com um olhar de ruim, com um olhar bom.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/10/332232.shtml

Prefeitura de São Paulo recua, mas ameaça de despejo continua

Por CMI Brasil 12/10/2005

No dia 9 de outubro, a Coopamare - Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis, ligada ao MNCR - Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis, realizou um ato simbólico contra a tentativa de despejo efetuada pela Prefeitura de São Paulo. Compareceram ao ato "Abrace a Coopamare" diversas entidades, movimentos e indivíduos.

Em 6 de outubro, a Folha de S. Paulo havia publicado uma notícia sobre a suspensão do despejo da Coopamare. A decisão da subprefeitura de Pinheiros de recuar ocorreu única e exclusivamente após a notifi cação extrajudicial direcionada ao subprefeito, ao secretário de subprefeituras e ao prefeito, na qual se apontava a ilegalidade e arbitrariedade dos atos que estes almejavam praticar com a retirada do espaço da Coopamare/MNCR, bem como as conseqüências legais de tal desvio de poder.

Porém, a Coopamare alega que a vitória não está garantida e que o governo municipal mantém o planejamento de acabar com a cooperativa, tendo suspendido o despejo apenas como um recuo tático para analisar melhor a situação jurídica e política. João Pedro Stédile, coordenador nacional do MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, garantiu que, caso a prefeitura tente despejar a Coopamare, o movimento vai deslocar centenas de militantes para apoiar os catadores e as catadoras.

fotos do ato "Abrace a Coopamare":

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/10/332005.shtml | http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/10/332012.shtml | http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/10/332025.shtml | http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/10/332044.shtml

Oficina-Escola de Artes e Reciclagem:

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/10/332058.shtml

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Baixe aqui o pdf: https://centrovivo.sarava.org/imagem/capituloII/Reportagens%20Cap%202/cminarua_cap2.pdf

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